Sino dos ventos

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A teoria Gaia, do cientista inglês James Lovelock, afirma que "a Vida e a Terra evoluem juntas, excluindo o paradigma da visão científica convencional, onde reina o apartheid entre os vários campos das disciplinas ambientais". A proposta dessa nova-antiga visão é fazer uma síntese das contribuições da geologia, geoquímica, biologia evolutiva e climatologia, transformando a concepção grega da Terra, enquanto deusa viva, numa teoria fundamentada cientificamente e apoiada em uma nova disciplina, a Geofisiologia.
Percebendo a Terra como ser vivo, Peter Russel, em seu livro "O Despertar da Terra" advoga que nós, seres humanos, constituímos as células do cérebro do planeta. Seria esse o inconsciente coletivo de Jung, produto do pensamento de 6 bilhões de "células" que formam o "cérebro global" da Terra viva?

Os desequilíbrios do planeta, provocados pela emissão de gases estufa na atmosfera, chuvas ácidas, buraco na camada de ozônio, desmatamentos e extinção de espécies, não sugerem que o ser humano, como célula do cérebro do planeta, esteja naturalmente desequilibrado, precisando religar-se com os princípios de sua evolução biológica?
 A origem da vida, como diz a ciência, se deu há 3 bilhões de anos, nos oceanos, e nós somos - à luz da teoria da evolução de Darwin - filhos desse grande útero materno. 
Entretanto, apresentar o planeta Terra como Gaia – Mãe Natureza – de forma compreensível e tentar levantar algumas questões que mostrem a famosa relação organismo-ambiente e as dinâmicas fronteiras de contato é, para um geólogo, uma tarefa difícil e, por que não dizer, audaciosa.


A mãe natureza está doente. Ela necessita de um olhar sensível e equilibrado para se manter viva. Temos que deixar de nos comportar como um ego encapsulado na pele ("Tudo que estiver dentro de minha pele sou eu, e o que está fora de minha pele não sou eu"). É preciso tornar porosas as fronteiras de contato. A Terra é o personagem principal. Nós, seres humanos, que adoecemos Gaia, não deveríamos ser figurantes, como forma de garantir a própria sobrevivência?


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